quinta-feira, janeiro 11, 2007

Às vezes (muitas)

acho que o nosso país não tem cultura (e até democracia) suficiente para fazer um referendo. A não ser que a pergunta seja do género:«Concorda com a Carta de Direitos Fundamentais, a regra das votações por maioria qualificada e o novo quadro institucional da União Europeia, nos termos constantes da Constituição para a Europa?» (sim, gostava de saber quantos dos eleitores que votaram neste referendo de 2004, fizeram a cruzinha tendo plena consciência do que estavam a assumir) e então não há problema, porque são poucos os que conseguem formar uma frase que seja (com sentido) sobre este assunto. E porque acho isto, perguntam vocês (multidão de leitores). Porque a maioria dos que vejo falar na tv, os tais que deveriam informar as pessoas sobre o porquê do referendo, explicar ao que, de facto, estamos a dizer sim e não, assumem posições radicais, extremistas, e até estúpidas. Pelo "sim" ou pelo "não" parece-me que importante é que se respeite a opinião dos outros. Tentar impor uma situação e, ainda por cima, alegando com argumentos ridículos, não me parece uma coisa muito digna ou inteligente. Na verdade, estas argumentações de ambas as partes fazem-me lembrar aquela guerrinha que há muito vem sendo alimentada nos blogues sobre amamentação. Quando li em determinado blogue alguém dizer que uma mãe que amamenta até tarde é doente e precisa de tratamento, senti-me ofendida. O que me ocorreu nesse momento foi fazer o oposto, ou seja, mostrar-lhe o outro extremo, para que tentasse compreender que extremismos não levam a lado nenhum. Que em duas opiniões diferentes há sempre forma de exagerarmos, de desrespeitarmos, de sermos intransigentes. Claro que as coisas foram distorcidas (era preciso ser-se inteligente para perceber a lição que estava a tentar dar-lhe :P), mas, no fundo, mostra um pouco do que se passa em grande escala, com o referendo ao aborto. Respeito! É assim tão difícil respeitar? Faz-me confusão que se associe que, quem é adepto do 'sim' já fez um ou vários abortos e que, que é adepto do 'não' nunca terá feito um. Alguém acredita nisto? Não será isso hipocrisia? Quantos adeptos do 'não' já terão feito um aborto? E mais, quantos adeptos do 'não' fariam um aborto caso se confrontassem com a situação? Se alguém responder "nenhum" então acho que deve sentar-se, reflectir, tornar-se mais isento. Todos os adeptos do 'sim' acreditam que de facto isso é a solução? Todos os adeptos do 'sim' estão seguros de que este é o melhor caminho? Todos os adeptos do 'sim' sabem ao que estão, de facto, a dizer 'sim'? Parece-me que não. Termino como comecei: às vezes (muitas) acho que o nosso país não tem cultura (e até democracia) suficiente para fazer um referendo. E gostava muito que o futuro de tantas mães e crianças não dependessem de um país e pessoas assim.

4 Comments:

Blogger Jolie said...

Sabes o que eu penso? Que deviam haver mais pessoas como tu.

Aplaudo de pé estas tuas palavras. Podes andar muito caladinha para estes lados, mas quando falas, brilhas.

Um beijinho!

11:20 a.m.  
Blogger AnaBond said...

ai... havia tanto para dizer.

mas concordo contigo quando dizes que este país não tem cultura suficiente para fazer um referendo.
basta pensar que o outro não ganhou porque a Madeira em peso votou não... em Portugal Continental tinha ganho o Sim...

e mais havia para dizer, e esta questão tira-me muito do sério.
enfim.

11:48 a.m.  
Anonymous Anónimo said...

Eu tenho uma amiga que já fez 2 abortos em Espanha mas é contra o aborto. Hipócrita foi o que lhe chamei.

2:59 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

eu por acaso acho q este assunto não devia ter sido "referendado". se calhar outros tb não...

não queria comparações mas acho q do lado do não a grande maioria das pessoas diz não a uma coisa q não está a ser perguntada!

2:46 p.m.  

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