terça-feira, agosto 30, 2005

Tem

um urso a quem chamamos "Chico".
Pega nele pelas orelhas e põe-no no chão, virado de frente para ela. Ao mesmo tempo vai dizendo "Anda ico, anda! Calma! Calma!"....e vai ajudando o Chico a dar uns passinhos.
(claro, lições dada pela perita, que já tem vaaaasta experiência no assunto :P)

Anda

a passear pela casa enquanto eu e o pai nos arranjamos para sair. De repente aparece lá no quarto, com um ar sorridente e diz "cocó!" enquanto aponta para a fralda.
Pai e mãe de sorriso nos lábios. Não pela frase, não pelo aviso, que isso ela já faz há muito tempo, mas pela novidade de a ver aparecer junto de nós pelo seu próprio pé, sem ajudas nem medos.

sexta-feira, agosto 26, 2005

Estamos bem

Na realidade a ausência deveu-se ao muito trabalho (coisa rara, eu sei).
Novidades só contarei 2ª feira. Agora estou aqui a tentar responder aos 38 mails que me enviaram a perguntar por mim.
obrigada, obrigada e obrigada pela preocupação que revelaram assim que se aperceberam da minha ausência.
Fiquei surpreendida e ao mesmo tempo feliz por saber que tanta gente se preocupa comigo.
(a Beatriz já corre pela casa e mexe em tudo o que lhe aparece à frente. Bem que me avisaram...:|)

quarta-feira, agosto 24, 2005

Ontem

não fez diarreias, comeu relativamente bem....mas a dermatite piorou muito.
Se não é do cu é das calças.
Passou a noite a querer dormir e a não conseguir por causa da comichão, das borbulhas, e nem me deixava ser eu a coçá-la, tal era o desespero.

terça-feira, agosto 23, 2005

Dicionário

lágrima | s. f.

lágrima

do Lat. lacrima


s. f.,
humor líquido e límpido segregado pelas glândulas lacrimais;

suco destilado por alguns vegetais;

fig.,
pequena quantidade de qualquer líquido;

pop.,
um pouquinho;

(no pl. ) choro, pranto.


-s de crocodilo: choro fingido.

Dicionário

tristeza | s. f.


tristeza

do Lat. tristitia

s. f.,
qualidade ou estado de triste;

consternação;

dó;

aspecto que revela mágoa ou aflição;

melancolia;

angústia.


*há palavras que o dicionário não sabe mesmo definir*

Ontem

diarreias :(
Ao mesmo tempo: boa disposição, brincadeira e malandrices (não é mesmo qualquer coisa que a derruba)
"...A ilusão quando se desfaz, dói no coração de quem sonhou demais"

(Tom Jobim)

segunda-feira, agosto 22, 2005

Contar....ou não

um, dói, teis, cato, oitcho e nove...(mas sem dúvida o número que ela mais gosta é o cato eheh)
E é vê-la contar os dedos da mão.
*ainda vai saber primeiro a tabuada e só depois caminha sozinha definitivamente*

Fim de semana

falta de apetite, vómitos e muito sono. Pelo menos mais um dente que se avista.
Fora isso: boa disposição, risos e mimos, dos pais e não só (Sim, que a B. não se deixa abater por uns vomitozitos e uns dentes marotos).

sexta-feira, agosto 19, 2005

Regresso a casa

Já consigo prever como vai ser logo quando a for buscar. Anda por lá a passear com a minha mãe, vê-me chegar, o rosto ilumina-se, sorri de uma forma que nem consigo descrever, solta um "mamã" cheio de emoção e alegria, dá meia volta e corre no sentido contrário, enquanto diz "corre, corre, corre!". De vez em quando pára e olha para trás, a ver se eu a estou a seguir. E se eu respondo à brincadeira, ela vai por lá fora, a correr e a arrastar a avó atrás, a soltar gargalhadas, à espera que a agarre e encha de beijos.

Por muito que vos descreva estes fins de tarde, nunca vou conseguir expressar a alegria e emoção que sinto nestes reencontros diários.

Pede

"mama" em qualquer lado. Alto e bom som, não vá eu não ouvir. E não se fica pelo pedido. Num ápice enfia as mãos pela camisola e soutien dentro e tenta puxar a dita cá para fora. Eu digo que não, que ali não pode ser, e o efeito é surpreendente- grita ainda mais alto "mama!!!!".
Quando olho à minha volta tenho toda a gente olhar para nós e a rir.

Mama num peito. Diz "já táaa- ôta" e quer mamar no outro....e volta a dizer "já táaaaa- ôta", e se eu deixasse ficava ali assim o resto do dia (noite). Enquanto mama numa mama, passa a mão pela outra, esmaga (literalmente) o mamilo entre dois dedinhos, e volta a passar a mão pelo meu peito, enquanto olha para mim com um ar satisfeito. E nem as palhaçadas de alguém a tiram dali, o máximo que faz é rir (nem que seja à gargalhada) mas sempre com a mama na boca.

*adoro dar de mamar*

quinta-feira, agosto 18, 2005

Ignorância

Perdi a comodidade da ignorância.

(Michael Allred)

*é tão mais fácil viver na ignorância, sem saber sequer que os problemas existem. É como se vivessemos anestesiados por uma realidade disfarçada. Mas, na verdade, pouco de bom se encontra nessa forma de viver, porque os factos não deixam de existir só por serem ignorados*

Só

Só por existir
Só por duvidar
Tenho duas almas em guerra
E sei que nenhuma vai ganhar

Só por ter dois sóis
Só por hesitar
Fiz a cama na encruzilhada
E chamei casa a esse lugar

E anda sempre alguém por lá
Junto à tempestade
Onde os pés não têm chão
E as mãos perdem a razão

Só por inventar
Só por destruir
Tenho as chaves do céu e do inferno
E deixo o tempo decidir

E anda sempre alguém por lá
Junto à tempestade
Onde os pés não têm chão
E as mãos perdem a razão

Só por existir
Só por duvidar
Tenho duas almas em guerra
E sei que nenhuma vai ganhar
Eu sei que nenhuma vai ganhar

(Jorge Palma)

*Gosto da letra, e especialmente da música, do piano, a acompanhar a voz sofrida*

Tenho

mau perder.
Custa-me quando me provam por A+B que não tenho razão.

Ando

a rir-me sozinha muitas vezes. A culpa é de alguns posts e comentários que vou lendo em alguns blogs.
A net é uma invenção fantástica.

Finalmente

distâncias longas, percorridas passo a passo, por pés pequeninos e mais seguros.
A avó atrás a dizer "com calma! com calma!" e ela vai repetindo "calma! calma!". E lá vai, correndo a passos largos para mais um avanço na sua independência. Cada vez mais sinto que não posso controlar tudo o que faz e todos os perigos que a rodeiam.
Fico com lágrimas nos olhos, porque a minha menina está a crescer...e é TÃO bom!

Fim de tarde na praia

Chegamos à praia, estendemos toalhas no chão, ela impaciente puxa-me. Eu quero tirar-lhe o lindo vestido branco, ela não quer esperar. Puxa-me ainda mais, "anda", eu vou, o pai vai. Corre por lá fora, não se deixa derrotar pelos altos e baixos da areia remexida após um dia de muitas pessoas na praia, "corre, corre" diz ela com aquela vozinha meiga. Molha os pés- não chega- molha as pernas, a barriga, "ai que já molhaste o vestido!", molha as mãos. Bate com força os pés, água por todo o lado, "B. cuidado com a onda"- não faz mal, é só uma onda.
Agora quer sentar ali mesmo, na areia encharcada. Areia colada em todo o corpo,"agora vamos lavar" e ela feliz no meu colo vai à água outra vez, e mergulha uma e outra vez.
Caminha pela areia sozinha, vai ao pai, vai à mãe, bate palminhas.

Isto sim são pequenos momentos de felicidade.
Pensar é fácil. Actuar é difícil. Actuar de acordo com o que se pensa é o mais difícil de tudo.

(Autor desconhecido)

Por exemplo, se os projectos profissionais de um numa cidade são incompatíveis com a alergia que o outro sente naquele lugar, como os dois são agora uma só carne, a alergia de um afecta a vida do outro. De facto, o outro sente-a como se fosse própria, ou mais ainda, e sofre. Mas a realidade do amor matrimonial faz que, ou os dois se aguentam, ou os dois saem dali. Porque os projectos profissionais são importantes, mas secundários em relação à grandeza do amor.

(Mikel Santamaría Garai)

quarta-feira, agosto 17, 2005

Faltam

aproximadamente 40 minutos para eu ir por os pés de molho numa bela praia aqui bem perto.

Nunca

mais chegam as férias novamente....Faltam 72 dias...

Pois.....

Quando estiveres irado, conta até dez; quando muito irado, conta até cem.
(Jafferson)

terça-feira, agosto 16, 2005

Conhecer alguém aqui e ali que pensa e sente como nós, e que embora distante, está perto em espírito, eis o que faz da Terra um jardim habitado.

(Goethe)

Apetece-me

deixar cair um martelo bem grande no pé para poder ir embora do trabalho.

Vergonha

A minha filha "solta" gases mal cheirosos, PROPOSITADAMENTE! No fim ainda se ri.
*onde é que eles aprendem estas coisas?*

Quando

o pediatra pesar o Nenuco na próxima consulta, vai ficar abismado com o aumento de peso da criatura. Não há gráfico de percentil válido para ele. Agora tem de comer tudo, mas mesmo tudo!
(tenho de ter uma conversinha com a B. ou o Nenuco ainda vai ficar com obesidade mórbida)

Dependência

Não me larga um segundo que seja. Anda sempre agarrada ás minhas pernas, se vou a outra divisão da casa, começa logo a gritar "mamã, mamã, mamã (...) mamã". Nem à casa de banho me deixa ir sozinha.
É "mamã" para tudo.
(quando for adolescente nem me vai querer ver à frente, raio de coisa esta, a das "fases")

Não sei

se conhecem aquele sketch do Gato Fedorento, em que uma "senhora" repete sempre a última palavra da frase que o outro indivíduo fala- a B. faz igual.

Finalmente

passos mais seguros, distâncias maiores percorridas com muita alegria, sorrisos e palminhas. Pára a meio e fica a olhar para nós, à espera de elogios, segue e abraça-nos com um orgulho imenso da proeza acabada de fazer.
*agora tenho de arrumar tudo o que fica ao alcance dela. É que mexe tudo...tudinho! :|*

sexta-feira, agosto 12, 2005

Tamanhos

Nós- "B., tu és pequenina?"
Ela- "Não, gandiiiiiii" (com os braços esticados no ar)

Adora

música. Assim que entramos no carro, ainda nem a sentei na cadeira, ela já está a pedir "múseca" ou o "cócórócó" (dvd da carochinha, com a música doidas andam as galinhas), conhece as músicas todas do dvd, e ainda nem os putos começaram a cantar, ela já diz palavras referentes à música que aí vem. Quando não gosta da que está a tocar pede "ôta" (outra). Estala os dedinhos e a língua a acompanhar a música, e quando se entusiasma mais abana a "carola" e o rabito.
No meu piano, toca tecla a tecla, muito cuidadosamente e dedos bem posicionados que até parece uma pianista.
Vá lá, alguma coisa de bom foi buscar à mãe.

Quando

recebemos um elogio, vindo de alguém que é muito especial para nós, invade-nos um sentimento inexplicável.
(parece coisa banal, mas não é)
Para ti amiga, um grande beijinho do tamanho do mundo.

Desejos

1- Mudar de emprego (para estar mais tempo com a minha moreninha)
2- Mudar de visual
3- Alterar a decoração da casa

Ou então em vez de três peço um só (não sou assim tão inflexível)- SAIR O EUROMILHÕES

Defeito ou feitio?

Acredito que a nossa forma de ser não é só fruto da educação que nos dão. Acho que os nossos genes ditam muito daquilo que nós seremos no futuro.
Acredito mesmo que duas crianças, criadas da mesma forma e pelas mesmas pessoas, poderão ser adultos bem diferentes na sua forma de ser e actuar perante a vida.

Para mim, o "sucesso" na vida de uma pessoa, em todos os campos, reside na sua auto-confiança. Acreditar que somos capazes, que conseguimos, que sabemos e que "somos", é meio caminho andado para sermos felizes e conquistarmos o mundo.

Cá em casa temos por hábito bater palmas de cada vez que a B. faz algo de novo, nem que seja um só passo sozinha. Fazemos sempre uma pequena festa.
Acho importante que ela se sinta feliz pelas novas conquistas. Acho importante que ela perceba que essas novas conquistas, ainda que pareçam insignificantes, são motivos de felicidade para nós. Mas acima de tudo, quero fazer-lhe sentir que, quando ela falha, nós continuamos a sentir orgulho nela e não gostamos menos dela por isso, nem a vamos recriminar por tal.
No futuro não quero nunca dizer-lhe "Só isso? Não conseguiste mais??". Espero dizer-lhe muitas vezes "Parabéns. Se precisares de ajuda estou aqui"

Mandamento principal

da minha linda filha:
"Não dormirás bem mais do que uma noite seguida"

(ora bolas)

Reforma

"O ex-capitão do Sporting, Pedro Barbosa, anunciou hoje o final da carreira, aos 35 anos, apesar de ter recebido convites para continuar em campo, afirmando estar «orgulhoso» do que fez como jogador de futebol."


(Também quero reformar-me aos 35 anos)

*hoje deu-me para isto, não liguem*

Big Brother da Capital

"O candidato socialista à Câmara Municipal de Lisboa, Manuel Maria Carrilho, prometeu ontem implementar um sistema de videovigilância em "áreas críticas" da capital, caso seja eleito para a presi- dência da autarquia. Bairro Alto, Ameixoeira e Intendente foram os exemplos apontados." (Retirado do DN de 12/08/05).

Preparem-se, o Big Brother está de volta...e em força!

Bom dia!

quinta-feira, agosto 11, 2005

Finalmente

o dinheiro do IRS já cá canta!
(se não fosse pobre e mãe de uma filha ia de férias outra vez)

Sabe tão bem

quando ela só acorda uma vez durante a noite toda!
Bom dia!

quarta-feira, agosto 10, 2005

Pega

no "Neiuco" (Nenuco) e dá-lhe beijinhos, abraça-o e embala-o, enquanto faz um doce "ãhãhãh". Deita-o no sofá, cama ou chão e faz "shiu, nanar" (para fazermos pouco barulho que ele vai nanar). Dá-lhe comida e faz os sons como se ele estivesse a mastigar. Coloca-lhe creme hidratante como fazemos a ela.

Pega no telemóvel, abre a tampa, ajeita-o no ouvido: "tou, sim...ãh, ãh...mmm"

Como eu gosto de vê-la imitar os graúdos.

O pai

por vezes chama-lhe tractor (carinhosamente, claro está). Agora tirem as vossas conclusões.

Conclusão fenomenal

1- Estamos em Agosto, estão meia dúzia de pessoas a trabalhar aqui na nossa empresa.
2- Eu não tenho nada para fazer.
3- Estou a usufruir de um computador, ar condicionado em gabinete amplo e sossegado.

Conclusão 1- se fosse para casa dava menos prejuízo ao patrão, pelo menos não gastava luz.
Conclusão 2- Eu devia de estar de férias mas a receber ordenado na mesma.

(vou ali falar com o meu patrão e já volto)

Quando

nos dá alguma coisa para a mão, a B. fica a olhar para nós, com um ar muito sério e expectante. Assim que lhe dizemos "obrigada" ela faz um ar satisfeito e diz "ada!". Agora imaginem quando ela vai para a gaveta, cheia de dezenas e dezenas de dvd's e me dá para a mão cada um deles. É caso para dizer "Não, obrigada!"
(quem me mandou armar-me em fina e ensiná-la a ser bem educada).

Era

tão bom quando podíamos sair sem carregar uma tonelada de objectos, entre os quais fraldas, várias mudas de roupa, toalhitas, cremes hidratantes, brinquedos e comidas.
Era tão bom quando podíamos sair sem pensar onde vamos almoçar ou jantar, se terão ou não uma sopinha de legumes, se será ou não salgada demais, se terão cadeirinha de bebé, se não será uma viagem demasiado longa ou maçadora, se estará demasiado calor ou frio.
Era tão bom quando me sentava a comer, sossegada, sem estar sempre a ser interrompida por pedidos exigentes e choros de má disposição, ou pedidos de "cóilo"(colo) e tentativas de destruição de tudo o que está ao alcance das suas mãozinhas perspicazes.
Era tão bom quando me sentava a ver televisão e a ler.
Era tão bom quando ia ao cinema (a última vez que fui estava grávida).
Era tão bom quando dormia a noite toda e só era acordada de manhã pelo despertador.

Depois de ler tudo o que escrevi, ainda gostava de saber porque é que algumas pessoas acham que um filho pode resolver problemas conjugais.

Olhe!

Se faz favor! Queria um café bem forte, que a minha filha esta noite não me deixou dormir.

terça-feira, agosto 09, 2005

Queria

tanto poder comer um crepe gigante, com 3 bolas- nata, chocolate e morango- e um delicioso chocolate quente por cima. Nham, nham....

Quando

tenho pouco para fazer aqui no trabalho, fico sem net . É caso para dizer que um mal nunca vem só.
Por isso se sumir por algum tempo já sabem, não morri, apenas fui censurada temporariamente´.

A minha filha

quando quer beber água: "Água! Água! Água! Água! Água! Água! (...)Água! Água! (...)"- isto nem que seja uma hora seguida até finalmente lhe darmos o bendito líquido.
(com sede não fica, isso é certo)

Corre

que nem uma doida pela casa fora, 'por cima de toda a folha' até que bate na moldura da porta da cozinha.
Quando ela for à revisão dos 15 000 kms tenho de dizer ao pediatra que os sensores dela estão avariados.

Tenho saudades

das "Férias grandes" de verão. Das tardes e tardes infinitas em que brincávamos de sol a sol. Dos amigos que brincavam comigo. Lembro-me de fingirmos que éramos "Os Cinco" ( e éramos mesmo cinco, com um cão e tudo!). Tínhamos o nosso clube, que ficava em casa de um amigo, onde nos juntávamos para desvendar os mistérios. Lembro-me de fazermos a inauguração do clube, com direito a bolos, bebidas e música. As senhas para entrar, os tesouros guardados. A casa abandonada ali ao lado, nós lá dentro a remexer livros, cartas e objectos deixados. de dizermos que iam destruir a casa porque existiam lá segredos guardados e acreditarmos verdadeiramente naquilo. Lembro-me da casa na palmeira que construímos mais tarde.
A minha mãe lá longe a chamar por mim, que era hora de jantar.
Lembro-me de chegarem os livros novos da escola, com um cheirinho a novo e eu, sentada na beira da minha cama, a tirá-los um a um do saco, a abrir as folhas com muito cuidado, a olhar infinitas vezes para a mochila e estojo novos.
Lembro-me disto tudo com saudade por dois motivos: porque aí era verdadeiramente feliz e porque agora QUERIA ESTAR DE FÉRIAS! :)

Sentada

no sofá, ouço na televisão uma voz conhecida, muito aflita, a falar do incêndio que quase lhe levou a casa por duas vezes em apenas dois dias. Levanto a cabeça e vejo a minha tia.
(e sei eu estas notícias através da televisão)

Se

eu e o pai nos sentarmos ambos no chão, cada um num canto da cozinha e a chamarmos, ela vem sozinha ter connosco, sem qualquer tipo de ajuda. Se lhe dissermos para ir sozinha de um lado ao outro da cozinha (ou um simples passo que seja), ela não vai, agarra-se às nossas pernas e começa a dizer "não, não" com um ar muito assustado.
O factor psicológico é tramado.

Sentada

com o pai, começa a cantar o Roberto Leal na televisão. Ela fica muito quieta a olhar e cai que nem um pinheiro para o lado (a dormir??).
Não a censuro :)

sexta-feira, agosto 05, 2005

Apetecia-me

bacalhau com natas.
Paula, manda aí pelo correio dentro duma caixinha :)

Vantagens

de trabalhar nesta empresa: Segunda feira é feriado aqui na terrinha e vamos ter fim de semana prolongado.
Terça feira estou de volta!

Eu sabia

que tantos 3 queriam dizer alguma coisa. Só podia ser um aviso :|.
À terceira (3) fatia de melão corto um dedo.
(pelo menos não em posso queixar que não me tentaram avisar)

A B.

Adora o mar. Fica irrequieta enquanto as ondas vão e não voltam e grita bem alto, letra por letra, "Anda água! Anda!", ao mesmo tempo que abre e fecha as mãos.
A água vai molhando, pés, pernas, barriga e braços e ela feliz corre ainda mais na direcção do mar. Enche a mão com água e lambe, uma vez após outra, e diz que "É bom!" com um sorriso rasgado.
Deitada no barquinho delicia-se com os pequenos embalos do mar calmo. Dá gritinhos de alegria quando fazemos o barco girar. Encosta a cabeça para trás e adormece mesmo ali, com o ar mais feliz que possam imaginar.

N.B.

Não esquecer de jogar o número 3 no euromilhões desta semana. Todos os posts que escrevi até agora foram escritos em horas que terminam em três: 8:13, 8:43, 10:33. Isto deve ser um aviso de alguma entidade desconhecida...

Tornei-me

numa desorganizada e quase sempre a casa está um caos. Estou a fazer algo, deixo a meio, porque a B. requer a minha atenção. Depois esqueço e vou buscar outra coisa qualquer, que acabo por abandonar em local indeterminado.
São muitas as vezes que ando feita barata tonta à procura de algo importante como as chaves, o telemóvel, uma camisola, etc e tal.
Fiquei sem empregada lá em casa.
Estou feita ao bife (para não dizer outra palavra menos bonita).

DENTRO

da fábrica onde trabalho está nevoeiro cerrado. Dentro do meu gabinete estão algumas abertas.

Lá

fora está a nevar.....

quinta-feira, agosto 04, 2005

Enquanto

passeia no aldeamento, repara num cavalinho daqueles de meter moeda. Pede para subir para ele. Fica a olhar para o cavalo e para a avó. Com a mão faz o gesto do dinheiro e diz "nheiro"....
Mas quem lhe ensinou isto se nunca tinha andado antes?

Sou

muito teimosa. Acho sempre que tenho razão e dificilmente dou o braço a torcer. Sou igualzinha ao meu pai, e por isso nem sempre nos demos muito bem.
Sou insegura. Acho sempre que aquilo que faço está mal, que não sou suficientemente boa e os outros são melhores do que eu em tudo, que sou horrível, com mau aspecto e enfadonha. Nisto saio à minha mãe.
Gosto que as coisas sejam feitas à minha maneira.
Vendo a descrição que fiz de mim agora mesmo, até eu me assusto. E penso muitas vezes, porque raio vamos sempre buscar tudo o que há de mau nos nossos pais.

Corre

agarrada ao nosso dedo, segura, pé firme. Vai pela relva fora, sem medo, por cima do muro, da pedra, sempre pelos locais mais difíceis.
Assim que a deixamos sozinha pára, emite um som de quem está assustada e corre para se agarrar a nós. Com os seus 14 meses ainda não caminha sozinha, pois tem medo. Quando se esquece, lá se aventura, mas assim que repara que não tem ninguém junto dela fica atrapalhada e perde o controlo.
Tinha de ser insegura como a mãe.

Sentados

numa esplanada. Está calor. O rio corre ali mesmo ao lado. Uma noite quase perfeita, o silêncio quebrado pelas pessoas que se juntam em grupos para aproveitarem mais uma noite quente de verão. A mesa vazia. Todos ansiosos pela chegada dos magníficos gelados já pedidos, após a tarefa árdua de escolher quais os melhores sabores e combinações. A B. salta de cadeira em cadeira, de colo em colo, fala, ri e mete-se com o miudo do lado.
Lá no fundo escuto um acordeão, mal tocado, quase não se pode chamar música ao que sai dali. De repente uma vozinha sumida diz qualquer coisa ao meu lado. Estende uma mão. Tinha os seus 6 anos, 7....linda: cabelos escuros compridos bem penteados, pele morena. Olhos lindos, doces, mas sempre caídos no chão. Triste, muito triste. O B. pega numa mão cheia de moedas e dá-lhe, ela vai à mesa ao lado e balbucia qualquer coisa novamente, e não consegui seguir mais o seu trajecto porque as lágrimas caiam-me pela cara abaixo.
A vida é injusta.

quarta-feira, agosto 03, 2005

Deitada

na cama. Viro para um lado, viro para o outro. Fecho os olhos, sinto-te mexer. Faço-te um carinho. Procuro novamente uma posição confortável- não consigo.
Após algum tempo consigo adormecer, estou a sonhar e acordo de repente com um som estranho mas que parecia vir de dentro de mim: "Ploc"- como se uma bolha tivesse rebentado. Sinto-me molhada. Levanto-me, acordo o B.- "É agora!". Ele responde "Até que enfim!". Não tinha ainda 38 semanas.
Passo uma água no corpo, visto-me, fecho as malas, descemos calmamente para a garagem. Sinto um nervoso miudinho. Estava à espera daquele momento há meses mas tudo parecia irreal.
Nada de dores, nada de nada. Tudo normal, excepto as águas rebentadas.
No hospital fui atendida por uma enfermeira nada simpática, segue-se outra e outra...Até que vou para uma sala, deitada, a soro e outras coisas mais que nem sei o que eram,o ctg, não me podia mexer que o aparelho estava avariado e deixava de funcionar. Virada de lado, quase só podia respirar.
No fundo do quarto um relógio: meia noite. Ao lado uma pequena poltrona onde o B. se sentou. Ali ficamos, ninguém nos dizia nada. As horas passavam, as dores aumentavam, ninguém dizia nada, ninguém vinha ver como estava. Perguntam-me se quero epidural, pois claro que quero, que já estava a ficar insuportável. O anestesista chega, mal humorado porque "(...)as grávidas deidiram vir todas hoje" e "(...)até era dia de folga dele". Entre queixas da chefe que não gostava dele, queixas de que aquele sistema da epidural era novo e nunca tinha dado e não gostava dele, e nem sabia como funcionava, lá espeta a agulha e "Ora bolas que não ficou bem" e lá espeta outra vez. Aproveita para mandar umas piadinhas à enfermeira que o estava a assistir, e lá vão felizes da vida. As dores melhoram ligeiramente, mas por pouco tempo. Onde está o céu que me prometeram??? Dores, dores e dores. Não choro, não grito, gemo, o mais baixo possível, porque o silêncio parece que me aumenta ainda mais a dor. Cada vez dói mais e ninguém vem ajudar-me. Sinto-me mal, vomito, chama-se a enfermeira, lá vem e diz que está quase. Eu digo que já não aguento as dores, ela espantada diz que dá outro reforço da epidural. Dão e levam-me para a sala de partos....não foi a tempo. A bebé começa a querer sair, sinto-me sem forças, não sinto a vontade de fazer força de que tanto falam. Tenho medo de não conseguir. Minutos que parecem horas, não sai, outra enfermeira ajuda a descer a bebé ao mesmo tempo que puxo....8h27m nasces. A médica pega em ti e leva-te para uma mesinha mesmo ao lado para ver se estavas bem. não choras, mas sei que estás bem. Os teus olhos estão abertos, muito abertos a ver tudo o que te rodeia. Vestem-te e dão-te ao teu pai. Ele pega-te com um sorriso como nunca vi na cara dele. Admiro-me com o à vontade com que te pega. Ele traz-te para junto de mim enquanto me cosem. A epidural não fez efeito, não me deram anestesia para dar os pontos, estou a senti-los, um a um, mas incrivelmente anestesiada pela tua beleza. Chamo por ti, digo que é a mamã e logo olhas para mim, à minha procura. Nunca mais me vou esquecer dos teus olhos a procurarem-me. Por muito que tente descrever não consigo exprimir os sentimentos que envolveram aquele momento.
3,040Kg e 47cm de gente- finalmente nos meus braços, a mamar, junto de mim.
Estavas ali, eras mesmo tu, linda de morrer.

Sou mãe.

Gosto

de bebés e crianças.
Se pudesse tinha 10 filhos.
Se me saisse o euromilhões abria um infantário e casas de acolhimento de crianças abandonadas e maltratadas.
Se a nossa situação financeira melhorar, queremos adoptar uma criança: não tem que ser um bebé de meses, não tem de ser de raça branca.
Adoro, adoro e adoro.

terça-feira, agosto 02, 2005

Gosto

de música. Muito. Desde pequena. Lembro-me de estar no terraço lá de casa, com uma vassoura e um fio amarrado a esta, a imitar os microfones. Lembro-me de cantar as músicas do festival da canção agarrada a ela. Lembro-me da vizinha, já velhota, sentada no quintal, no seu banquito de madeira a bater-me palmas e a dizer que eu cantava bem. Lembro-me dos discos da "Abelha Maia", do "Marco" e outros.
Lembro-me da minha viola.
Lembro-me do dia em que me deram um piano. Lembro-me das aulas, dos concertos que dávamos, das pessoas a baterem palmas no fim.
Lembro-me de actuar no Coliseu no Porto, tudo cheio de crianças e adolescentes, lembro-me das luzes a projectarem-se no palco, de eu pensar para mim que a música era a minha vida.
Não foi.
Tirei um curso de Engenharia.

Mais

um blog neste mundo virtual. Ideia pouco original de quem tem pouco para contar.
A pedido de várias famílias, aqui está este cantinho. Criei-o essencialmente para as minhas amizades virtuais. Porque estão longe, porque querem saber mais de mim. Também serve para mim. Para escrever de tudo um pouco, porque por vezes as palavras estão presas na garganta, e sentir-lhes o som dói. Para partilhar as minhas alegrias, as tristezas, os gostos e aventuras neste meu mundo de sonhos e realidades.
Sejam benvindos!