Lembro-me da árvore pequenina artificial, na sala de paredes vermelhas. Eu procurava os presentes por toda a casa, mas nunca os encontrava.
É com um sorriso nos lábios que recordo o ano em que surgiu a moda das bombocas! lembram-se??? Tanto que pedi que me dessem e, afinal de contas, assim que pus o primeiro bocadinho na boca cuspi tudo!
Lembro-me das noites de Natal passadas em casa dos meus padrinhos, dormíamos lá. Eu, preocupada, porque o Pai Natal não ia saber que eu estava noutra casa e não ia deixar os presentes para mim. Recordo o som do relógio de pêndulo na cozinha, toda a noite, hora após hora. As manhãs de Natal, ir buscar os presentes à lareira, em cima do sapatinho.
Recordo os Natais, agora já em nossa casa, de eu me deitar e ficar à escuta, à espera que os meus pais colocassem os presentes no sapatinho. Assim que eu pressentia que eles se deitavam, corria para os ir buscar, nunca conseguia esperar pela manhã do dia seguinte.
Recordo estes Natais com saudade. Muita. Mais do que saudades destes momentos, sinto falta de uma pessoa que já partiu.
Continuo a gostar do Natal. Mais do que receber presentes, gosto de os dar. Mas nunca mais foi a mesma coisa. Porque ele não está aqui. E isso dói muito.