sexta-feira, março 23, 2007

Sou mãe blogueira

Sim, noutros tempos a música era outra. Cantava-se "sou mãe solteira" e os problemas que daí resultavam. Desengane-se a alminha que pensa que ser mãe solteira traz menos problemas que ser mãe blogueira! Eis que a mãe blogueira, entre as sopas dos putos, a roupa para passar a ferro, as casas de banho para limpar e o emprego vai arranjando um tempo para pôr o olho nuns blogs. E aí é a morte do artista. Nos blogues tudo parece mais fácil. O puto do blog do lado parece sempre mais gordinho que o nosso e já tem dentes desde os 3 meses, enquanto que o nosso com 15meses é um grande desdentado. A vizinha do blogue de cima é sempre simpática para os miúdos, tem sempre uma palavra amiga para lhes dizer e nunca lhes soltou um berro que ultrapassasse os 4 decibéis. A compincha do blogue de baixo brinca com eles no jardim horas a fio, lê 10 histórias por dia...e a quantidade de actividades pedagógicas que faz com eles?! Um MIMO! Ora, a mãe blogueira, quando lê o primeiro blogue sente-se mal, ao fim do 3º está com uma depressão, ao fim do 8º já está a pensar em que ponte terminará a sua vida. Isto não é uma crítica ao tom de perfeccionismo que é comum encontrar nos blogs. Até acho que é bastante óbvio que assim aconteça, afinal de contas quando se passa por experiências muito más são normalmente demasiado privadas para as expormos ao resto do mundo. Ninguém no seu perfeito juízo vai escrever: "Querido blog- Hoje o meu jaquim bateu-me 3 vezes. Depois saiu e foi ao tasco do Zé beber 3 garrafas de tinto e 4 bagaços. Quando voltou bateu nos miúdos e fechou-os no quarto"...não pois não? A questão é....a mãe blogueira martiriza-se demais porque lê muito sobre as coisas boas que as outras mães fazem e são com os filhos delas, esquecendo-se muitas vezes que o que ali está não é nada mais nada menos do que um resumo das coisas boas que acontecem, e que também existem coisas más. Todas as mães gritam, todas as mães perdem a paciência, todas as mães falham. E, se isto não acontece, então das duas uma: ou não estão tempo suficiente com eles, ou simplesmente ignoram os filhos. Porque ninguém se consegue manter em mode "mãe do Ruca" para sempre (if you know what I mean)

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segunda-feira, março 19, 2007

Era uma vez três porquinhos.
O primeiro era muito curioso. No entanto só usava a curiosidade para fins menos próprios e nunca fins construtivos. Quando havia novidade na aldeia, o porquinho era o primeiro a saber. O maior sonho do porquinho era saber os segredos de toda a gente em todo o mundo.
O segundo porco era diferente. Sonhador, achava que todos eram bons, excepto o Lobo Mau. O porquinho sempre ouviu histórias sobre o terrível Lobo Mau. Já a sua bisavó as contava, e os bisavós dos seus bisavós. Por isso, este porquinho confiava em toda a gente, deixando que entrassem em sua casa, que mexessem nas suas coisas, que lhe conhecessem a vida. Excepto o Lobo Mau....a esse o porquinho não passava confiança, não que alguma vez lhe tivesse feito mal, mas a fama era mais do que má, já se sabe. No entanto, o porquinho dizia tudo o que pensava, o que nem sempre era bem visto pelos outros animais do bosque,e muito menos pelos outros porquinhos.
Havia ainda um terceiro porquinho. O terceiro porquinho era o sabichão, bom contador de histórias. Era normal que na floresta todos os animais se juntassem para ouvir as suas histórias, e admiravam-no pela sua capacidade de improviso e pela facilidade com que as vivia, confundindo-as por vezes com a realidade. Ele era conhecido por todos, mesmo nos bosques vizinhos. Também ele, como todos os animais do bosque tinha medo do Lobo Mau. Mas, tal como os outros porquinhos, nunca foi atacado pelo Lobo Mau. O 3º porquinho falava muito com o 1º sobre o Lobo Mau, e eram muito chegados. Tanto que o 3º porquinho lhe confiava muitas das suas vivências. Nenhum deles falava com o 2º porquinho- a frontalidade em excesso incomodava-os.
Certo dia, o Lobo Mau desceu ao bosque em busca de sangue e carne frescos. Ou pelo menos era o que os animais do bosque acreditavam. Em poucos minutos o alerta espalhou-se e todos se refugiaram em suas casas. O 3º porquinho convidou o 1º porquinho a refugiar-se em sua casa, afinal de contas eram grandes amigos. E assim foi, fecharam-se bem fechadinhos à espera que o Lobo Mau se fosse embora.
De repente, alguém bate na porta. Era o Lobo Mau. O 3º porquinho pediu ao 2º que ficasse atento, enquanto ia buscar algo para se defenderem. Qual não é o seu espanto quando, ao regressar, verifica que o seu grande amigo tinha aberto a porta ao Lobo Mau. O 3º porquinho não entendeu, ficou confuso. Esperava aquilo de todos, até do 2º porquinho, mas não do seu grande amigo! Tudo não passava de uma armadilha do Lobo Mau e do seu "amigo". Não queria acreditar que se tinha fechado em casa, pensando estar em segurança, com alguém que afinal de contas era amigo do Lobo Mau.

O porquinho sabichão, com alguma inteligência, percebeu tudo e conseguiu fugir. Mas só então percebeu que nem sempre é o Lobo Mau o que mais anseia por sangue fresco, mas sim quem menos se espera e veste a pele de cordeiro.

Vitória, vitória, é o final da história.

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